quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Salvação





Em meu céu à deriva
cai a noite de chumbo
e nuvens de desamparo
escondem a réstia de sol.

Os ponteiros do relógio não vacilam
e marcam o ritmo da minha insônia.

Faz frio e minhas pálpebras
tem o peso do assombro.
A madrugada avança e ainda
sinto os arranhões tatuados no ventre.

Recorro as tuas palavras
(sempre tão carregadas de poesia)
e o peso delas me traz a leveza
que põe coragem em meu viver.

Repito-as como mantras de salvação.
São ritos de acalento
que me ancoram nesse alto-mar dos
medos inconfessáveis.

Estou salva!




domingo, 20 de janeiro de 2013

Para existir




Escrevo para tranquilizar minha ambivalência
e distrair minha inconstância.
Para me perder em céus de chumbo
e depois aterrissar em solo seguro. 

Escrevo não para expor o que penso,
mas para preservar o que ainda não sei dizer.

Escrevo para decifrar as feras que uivam em meu porão,
e também para espantar meus fantasmas.

Escrevo não para inventar dilemas insanos,
mas para rever aqueles esquecidos ou evitados.

Escrevo para perder o senso e depois reencontrá-lo na próxima esquina.
Para destruir convicções, principalmente as próprias.

Escrevo por prazer e paixão.

Para transgredir-me...

Escrevo, enfim, para existir.



domingo, 13 de janeiro de 2013

Teu olhar



Teu negro olhar de relâmpagos
é lâmina de faíscas e segredos,
redoma trincada por (di)amantes,
vidro blindado; escudo para o medo.

Sob meu olhar se descortina tua dor
petrificada em anos de retido pranto, 
vivências mescladas em tons sombrios
em contraste com teu espírito branco.

Espreito tua alma. É densa de calafrios.
Escarpa tateada com zelo e inconstância,
rio que serpenteia e provoca arrepios,
alquimia de arte, paz e beligerância.