sexta-feira, 29 de junho de 2012

Uma só asa



Nunca te contei
do crepúsculo
que sonda meus dias.

Nem dos passos feitos
de abismo e desamparo.

Nem das horas que fenecem
e transcendem o nada.

Nunca te confessei
meus loucos desatinos.

Tampouco te mostrei
minhas gavetas abarrotadas
de cartas seladas
por segredos e descasos.

Ah!...Nem imaginas tantas coisas...

Nem sabes que tive
meu jardim devastado
por tantas e tantas vezes.

Nem que tenho em meu peito
uma lança cravada
e que o sangue nunca estanca.

Mas também nunca
te contei
que trago comigo:

um ramo de sol,
uma nesga de brisa
e uma única asa.

E isso me basta.



terça-feira, 26 de junho de 2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sobre sonhos



Sou feliz por abraçar um arco-íris de sonhos, 
afinal tudo que realizei até hoje já floresceu muito antes na minha imaginação...




sexta-feira, 15 de junho de 2012

Borboleta de Diamantes



Nos lábios,
uma borboleta de diamantes
ensaia pequenos voos clandestinos
em um céu de luz e chumbo.

Na cadência das horas,
costura labaredas
que dançam em movimentos elípticos
e queimam o ar com desejos e medos.

No papel de espelhos e cores,
o atrito da madrugada
desenha vontades
desperdiçadas em sono e sonhos,
e desfeitas pelo estalo
do ascender do dia...



segunda-feira, 4 de junho de 2012

Oração da Manhã



Que a cada amanhecer a gente possa abrir os olhos para novos significados.
E que essas descobertas sejam genuínas, desprovidas de tolas vaidades.

Que a gente se permita tropeçar no desconhecido, mesmo se sentindo despreparado para o imprevisível.
E que haja sempre imensa capacidade de improvisação. 


Que se tenha paciência para aceitar que muitas vezes se andará em círculos e se chegará ao mesmo ponto.
Mas mesmo retornando ao passo inicial,
se saiba que já não 
se é mais o mesmo. 

Que a gente não se sinta assolado pelas críticas nem deslumbrado pelos aplausos.
E que se possa conservar sempre a gentileza nas palavras e gestos,
mesmo quando não correspondidos. 

Que nunca nos falte constância e fé para insistirmos na
preservação daquilo que mais amamos.
E que possamos aceitar que as reminiscências são necessárias
para a compreensão dos velhos erros.

Desejo, por fim, que se cairmos em tentação, possamos nos levantar com dignidade, sem autocomiseração ou demasiado sentimento de culpa. E que nunca nos falte a poesia, para que apesar de tantos pesares, jamais desfaleça o encantamento por estar vivo.

Amém.