quinta-feira, 29 de março de 2012

Meu Ninho




Meu ninho é o contraponto
do vôo. Virtuoso aconchego
de cumplicidade e zelo.

Madeira sem verniz.
Transparências entre
gestos ternos.

Mansidão de tatos é a carta branca 
para o florir dos versos.

Iguarias temperadas de
doçura,  servidas em
travessas de silêncios.

Sim, também há céu no meu ninho.




domingo, 25 de março de 2012

O fenecer do amor




A gente sabe que o que mata o amor é uma grande decepção, 
aquele golpe certeiro e fatal. Mas a desilusão também pode vir aos pouquinhos, 
em conta-gotas de frustrações. 
Uma palavra torta, um gesto hostil, um olhar distante. 
Uma mentira tola, uma promessa que nunca se cumpre ou um silêncio que beira o desprezo.  
É como cor viva que desbota gradualmente e perde todo seu viço.
Seja de forma repentina ou não, a decepção é o fenecer do amor.  




segunda-feira, 19 de março de 2012

Sobre gratidão


Abençoados sejam aqueles 
que nos estendem suas almas. 
Nem imaginam que nos devolvem a vida. 




sábado, 3 de março de 2012

Novo Caminho



Sigo meu novo caminho; três passos para frente, um para trás. 
A cada recuo, um novo impulso de perseverança.

A floresta é densa e a trilha é repleta de charcos. Pressinto campos minados por perto e avanço com mais cautela. Durante o percurso, muitos galhos, pedras e ribanceiras. 
Desvio e contemplo as borboletas e pássaros.
A despeito de alguns passos trôpegos, persisto pisando firme, 
com os pés bem fincados no chão e os olhos voltados para o céu.

Há armadilhas e areia movediça nos arredores. Animais selvagens me farejam. 
Redobro minha atenção e dou carta branca à intuição, minha fiel guia.

À noite, os vaga-lumes e as estrelas me conduzem. O medo se dissipa...
Estou sem mapa e o risco de me perder é grande. Não me importo. Não tenho pressa. 
Quanto mais longa a caminhada, mais experiente e confiante chegarei ao meu destino.

 E prossigo jogando sementes, para que no derradeiro dia eu possa olhar para trás e vislumbrar um imenso e belo jardim de flores e colibris.